O rótulo parece um documento em língua estrangeira, mas carrega só quatro ou cinco informações que importam. Aqui vai o dicionário.
A uva (ou o corte)
É o dado que mais diz sobre o sabor. Malbec tende a fruta madura e maciez; Cabernet Sauvignon, a estrutura e especiarias; Chardonnay, a corpo entre os brancos; Sauvignon Blanc, a frescor herbal. Quando o rótulo traz duas ou mais uvas, é um corte: o produtor combinou castas buscando equilíbrio. Corte não é vinho menor; alguns dos maiores vinhos do mundo são cortes.
A região
Uva igual, lugar diferente, vinho diferente. Um Malbec de altitude em Mendoza é mais fresco que um de vale quente. Regiões com nome protegido (DOC, DOCG, DO) seguem regras de produção do lugar: é um selo de procedência, não uma nota de qualidade. Vale como pista, não como veredito.
A safra
O ano em que a uva foi colhida. Em vinhos jovens e frutados, safra recente é sinal de frescor. Em vinhos de guarda, alguns anos de garrafa arredondam taninos. A maioria dos vinhos do dia a dia nasce pronta para beber: não precisa esperar nada.
O teor alcoólico
Entre 11 e 12 por cento, espere leveza; de 13 pra cima, mais corpo e calor na boca. Não é régua de qualidade, é régua de estilo.
O que o rótulo não diz
Se o vinho é bom. Essa parte é trabalho de quem prova antes de vender. Cada rótulo do nosso acervo passou por quatro filtros, e a ficha de cada um está na página da curadoria: aromas, boca, harmonização e temperatura de serviço. O rótulo informa; a prova decide.

